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  • O Processo de Urbanização da Cidade do Rio de Janeiro e as suas Principais Mudanças

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    Fev
    25/02/2010 às 17h29
    APRESENTAÇÃO

    A Casa

    Vinicius de Moraes

    Composição: Vinicius de Moraes


    Era uma casa muito engraçada

    Não tinha teto, não tinha nada

    Ninguém podia entrar nela, não

    Porque na casa não tinha chão

    Ninguém podia dormir na rede

    Porque na casa não tinha parede

    Ninguém podia fazer pipi

    Porque penico não tinha ali

    Mas era feita com muito esmero

    na rua dos bobos numero zero


    1.INTRODUÇÃO

    Para compreender o processo de urbanização da cidade do Rio de Janeiro, é preciso conhecer a história de sua colonização desde a sua fundação e as suas principais mudanças até a atualidade. Tenho como base para minha análise, o filme documentário “Rio de Janeiro: ontem e hoje” * sob direção de José Joaquim Monteiro Soares* / Ano: 2005 e o livro “Do Quilombo à Favela - A Produção do ‘Espaço Criminalizado’ no Rio de Janeiro”, de Andrelino Campos* .
    Durante quase todo o século XVII, a cidade do Rio de Janeiro teve um desenvolvimento lento. Um conjunto interligado de pequenas vielas conectava as igrejas entre si, relacionando-as ao Paço e ao Mercado do Peixe, à beira do cais. A partir dessas igrejas, surgiam as principais ruas do atual centro da cidade. Com cerca de 30 mil habitantes na segunda metade do século XVII, o Rio de Janeiro se tornou a mais populosa cidade do Brasil, ocupando fundamental importância para a dominação colonial.
    Com a Proclamação da República no Brasil, o Rio de Janeiro enfrentava graves problemas sociais nas últimas décadas do século XIX e início do XX em consenquência do crescimento rápido e desordenado. Com a diminuição do trabalho escravo, a cidade passou a receber grandes massas de pessoas imigrantes da Europa e de ex-escravos atraídos pelas oportunidades que se ampliavam ao trabalho assalariado. Entre 1872 e 1890, a população dobrou, passando de 274 mil para 522 mil habitantes.
    O aumento da pobreza agravou a crise habitacional, característica constante na vida urbana do Rio, desde meados do século XIX. O ponto fundamental dessa crise era cada vez mais a Cidade Velha e suas adjacências, onde se multiplicavam as habitações coletivas e surgiam de forma violentas as epidemias de febre amarela, varíola, cólera-morbo, que atribuíam à cidade fama internacional de porto imundo.
    Muitas campanhas de erradicação praticadas pelos governos da época não foram bem recebidas pela população carioca. Houve várias revoltas populares, entre essas a mais famosa – a Revolta da Vacina de 1904, que também teve como motivo o registro de medidas contra a vontade da população, como as reformas urbanas do centro do Rio, realizadas pelo engenheiro Pereira Passos. Nessas reformas foram demolidos vários cortiços e, a população pobre da Região Central foi deslocada para as encostas de morros na Zona Portuária e no Caju, sobretudo os Morros da Saúde e da Providência. Esses povoamentos cresceram de forma desordenada, iniciando o processo de favelização e não preocupando as autoridades da época que promoveram a adoção de várias outras reformas urbanas e sanitárias, transformando assim a arquitetura da capital da República.

    2.PERÍODO IMPERIAL E REPUBLICANO ATÉ A ATUALIDADE

    A cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro foi fundada por Estácio de Sá em 1° de março de 1565, quando desembarcou num istmo* entre o Morro Cara de Cão e o Pão de Açúcar, erguendo um tapume feito com estacas fincadas na terra servindo de obstáculo para defesa militar.
    A vitória de Estácio de Sá subjugando elementos remanescentes franceses (os quais, aliados aos Tamoios, dedicavam-se ao comércio, ameaçando o domínio português na costa do Brasil), garantiu a posse do Rio de Janeiro, rechaçando a partir daí novas tentativas de invasões estrangeiras e expandindo, à custa de guerras, seu domínio sobre as ilhas e o continente. A povoação foi refundada no alto do Morro do Castelo (completamente arrasado em 1922), no atual centro histórico da cidade. O novo povoado marca, de fato, o começo da expansão urbana.
    No final do século XVII e início do século XVIII, o crescimento da cidade do Rio de Janeiro se destacou pela localização do principal porto de escoamento da produção para abastecer a população que se desenvolveu cada vez mais. O café era cultivado ao redor da cidade. Nessa época, os escravos transportavam a carga através de tropas de mulas. Nesse mesmo período, a população foi desalojada da cidade para receber a Corte da Família Real Portuguesa. Vieram pintores franceses para decorar as ruas para recebê-los. O interesse estético para a urbanização da cidade recebeu influências da Europa como modelo, principalmente da Inglaterra. No início do século XIX, o desenvolvimento industrial contribuiu muito para a urbanização das cidades brasileiras acelerando o desenvolvimento habitacional, embora o crescimento das cidades nem sempre esteja relacionado à presença de indústrias. As correntes migratórias se intensificaram com abolição da escravatura provocando mudanças significativas na população brasileira.
    Em relação a outras cidades do país, a cidade do Rio de Janeiro era um centro urbano bem mais desenvolvido porque era a capital da República, concentrando as principais casas comerciais brasileiras. Alguns bairros como Jardim Botânico, Laranjeiras ou Tijuca tiveram uma aceleração no processo urbano devido às indústrias têxteis instaladas durante os anos de 1850 a 1900. São Cristóvão e Gamboa são bairros que se desenvolveram devido à sua origem na atividade industrial. A Central do Brasil foi inaugurada em 1877, acelerando o desenvolvimento da cidade que ligava São Paulo ao Rio de Janeiro. Pois, até o começo do século XX o transporte era realizado por burros de carga. O uso da eletricidade mudou totalmente o ritmo da cidade, surgiram os bondes permitindo maior movimento e circulação de pessoas nas ruas iluminadas, acarretando também mudanças no transporte urbano.
    Em 1902, o prefeito da cidade do Rio de Janeiro, Francisco Pereira Passos sob administração do presidente do Brasil – Rodrigues Alves* desalojou milhares de moradores e comerciantes para realizar reformas urbanísticas no centro da cidade. Estas obras foram realizadas num tempo de dois anos. A construção da Avenida Central (atual Avenida Rio Branco), do Cais do Porto e da Cinelândia – referência da cultura carioca, e o alargamento das ruas se tornaram as maiores intervenções urbanísticas realizadas na época, sofrendo influências da cultura norte-americana na modernização urbana do estado.
    Nos últimos anos, a cidade do Rio de Janeiro cresceu rapidamente, dominando os espaços naturais. A infra-estrutura está avançando cada vez mais para o interior, principalmente o sistema de transporte. A população começa a se tornar urbana, mesmo que continuem se dedicando à atividade agrícola. Com aumento de carros nas ruas, aumentam-se os problemas de congestionamentos de trânsito e poluição ambiental. A cidade está avançando para a periferia, surgindo assim, as cidades integradas que apresentam problemas de infra-estrutura em comum, sendo chamadas de região metropolitana. A favelização está aumentando consideravelmente, tornando-se necessário um planejamento de políticas habitacionais através de estudos ambientais e dos sistemas de transporte. Atualmente, as favelas se tornaram espaços semi-rurais, ou seja, espaços sem definição. Nesta região, muitas pessoas moram numa cidade e trabalham em outra. A aglomeração urbana reflete as diferenças sociais entre a população nos bairros. Isso significa que a população que detém mais recursos financeiros reside em condomínios fechados com infra-estrutura paga completa, e a população mais carente reside em bairros mais distantes do centro comercial num quadro de quase ou sem infra-estrutura básica mínima.
    O Rio de Janeiro tem uma geografia favorável à vegetação mesclada à vida urbana, mas já apresenta grandes problemas de poluição, como o lançamento de esgoto residencial e industrial sem tratamento na Baía de Guanabara. O saneamento básico se tornou um problema crônico, pois o volume de lixo e esgoto é muito grande, gerando problemas de grande impacto ambiental e de saúde pública. A qualidade de vida perde espaço para o lucro exorbitante das construtoras.

    3.CONCLUSÃO

    A história ajuda a compreender a geografia humana e a urbanização da cidade do Rio de Janeiro. Não se pode negar o passado e não estudar a origem da nossa colonização. A cidade do Rio de Janeiro muda e se transforma constantemente porque a sua história também muda constantemente.
    A cidade se desenvolveu com um crescimento urbano desordenado derrubando casas para a construção de novos edifícios e ameaçando espaços públicos. Desse modo, o planejamento inadequado por parte dos engenheiros e arquitetos urbanísticos piorou os problemas habitação da população mais carente economicamente, também como a criação de engarrafamentos das principais vias de acesso da cidade. Os problemas de infra-estrutura urbana não podem ser resolvidos isoladamente focando-se apenas em pequenas comunidades, e sim através de um planejamento com visão holística, ou seja, com visão global de uma população inserida em um complexo contexto de uma cidade.

    4.REFERÊNCIAS

    CAMPOS, Andrelino
    Do Quilombo à Favela - A Produção do ‘Espaço Criminalizado’ no Rio de Janeiro, Andrelino Campos – 1ª impressão – São Paulo: Editora Bertrand Brasil, 2005.


    Rio de Janeiro: ontem e hoje. Brasil. 2005. Direção: José Joaquim Monteiro Soares. Duração: 51 min.

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      julia

      26/06/2013 às 17h23
      nao gostei do site e muito ruim

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      DANIEL TEIXEIRA DA CRUZ:

      09/10/2010 às 16h12
      Aluno do 4º semestre do curso geografia da faculdade upis em Brasiliia. Esse texto é de grande relevância para a geografia urbana.

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      carlos eduardo pereira:

      03/08/2010 às 13h05
      Sensacional o documentário de josé soares creio que o Rio (cidade única no mundo) vai também dar um jeito de se reinventar, o mais difícil é ser linda como ela (a cidade) é. É como se fazer uma plástica num rosto que já é bonito.

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